Programa de Combate à Seca no Sul do país pode contar com financiamento da Áustria

O Presidente da República, João Lourenço, convidou, esta terça-feira, a Áustria a participar no Programa do Executivo de Combate à Seca no Sul de Angola, contribuindo no conjunto de soluções estruturantes que se propõem mudar a vida das populações residentes nas províncias, há muito, assoladas pelos efeitos da seca.

“Desafiei o chanceler austríaco a colocar o nome da Áustria num projecto que considero importante para Angola. O grande programa do combate à seca que o Executivo está a levar a cabo no Sul de Angola. Ele mostrou-se interessado em trabalhar com a banca austríaca para ver se podem financiar parte do Programa.  O nome da Áustria vai ficar no projecto que tem a particularidade de salvar vidas e, isso, é algo muito nobre”, disse.

Falando à imprensa a propósito da visita de Estado do chanceler da República da Áustria, o Presidente João Lourenço adiantou que Karl Nehammer manifestou o interesse em trabalhar com a banca austríaca para estudarem a via de financiamento do programa.

O Chefe de Estado afirmou, também, ter abordado com o líder daquele país europeu a possibilidade de a Áustria abrir uma linha de financiamento para atender projectos de infra-estruturas públicas em Angola.

João Lourenço citou o caso concreto da cobertura das necessidades financeiras do “grande projecto de combate à seca no Sul de Angola”, realçando que é preciso que os dois países definam o nível de financiamento, montante e as condições de reembolso.

O Presidente da República referiu que Angola pretende ter uma parceria em que as duas partes saiam a “ganhar” e espera que haja essa vantagem recíproca: “Nós contamos muito com o investimento privado austríaco em, praticamente, todos os domínios da economia do país. Os empresários austríacos são bem-vindos”.

João Lourenço assegurou que o Executivo tem estado a trabalhar para melhorar o ambiente de negócio, de modo que os empresários se sintam encorajados a investirem os seus recursos, reiterando que “só compete a eles definirem em que domínio investir”.

Lembrou que Angola e Áustria mantêm relações de amizade e de cooperação económica há anos e abriu a possibilidade de se aprofundar cada vez mais em outros domínios.

Considerou significativo o momento em que uma empresa austríaca fornece as turbinas produtoras de energia na grande Central Hidroeléctrica de Laúca.

Destacou, igualmente, que há uma empresa austríaca na construção de grandes hospitais de Viana e Cacuaco, e a concluir o Hospital de Mbanza Kongo. A cooperação entre os dois países no sector da Saúde, segundo o Presidente  da República, é uma realidade.

Funcionamento de dois hospitais

O Chefe de Estado acredita que as duas unidades hospitalares em Viana e Cacuaco entram em funcionamento ainda este ano.

O Presidente da República fez ainda referência, durante a comunicação à imprensa no Fórum Económico Angola – Áustria, das conversações entre os dois países, frisando que foram abordadas, não apenas as relações bilaterais entre ambas nações, os principais assuntos da política mundial com particular destaque para a guerra na Ucrânia.

Posicionamento ante o conflito russo-ucraniano

O Presidenteda República disse que as posições defendidas por Angola no conflito russo-ucraniano coincidem com a Áustria na condenação da agressão à Ucrânia e defendeu a necessidade do estabelecimento da paz, através de negociações, bem como a libertação do território ucraniano ocupado pelo exército russo.

A posição de Angola para este conflito na Ucrânia, prosseguiu, é clara: “condenamos a invasão da Rússia à Ucrânia e a anexação de parte do território da Ucrânia”.

O Chefe de Estado reafirmou que Angola defende um cessar-fogo imediato com vista à negociação de uma paz duradoura que garanta tranquilidade a todo o continente europeu.

“Como sabemos, o continente europeu foi o berço das duas grandes guerras mundiais. Tudo deve ser feito no sentido de evitarmos chegar a esta situação que é uma desgraça para a humanidade”, disse o Presidente da República, João Lourenço, que não deixou de agradecer o apoio da Rússia a Angola em momentos que considerou “muito difíceis” da História do país quando precisou lutar contra o colonialismo português. “Tivemos que enfrentar, também, como está a enfrentar neste momento a Ucrânia, uma agressão externa por parte do regime do apartheid. Foi a Rússia que ofereceu toda a capacidade militar que nos permitiu derrotar os invasores e, apesar deste dever de agradecimento que nós temos, seremos eternamente gratos ao povo russo por esta ajuda que nos deu na altura e, talvez, precisamente, por isso, é que não podemos aceitar que a Rússia tenha, portanto, invadido o país vizinho, a Ucrânia”, esclareceu.

Chanceler garante apoio ao projecto

O chanceler da Áustria, Karl Nehammer, disse que, apesar de ouvir pela primeira vez sobre o projecto em que foi convidado a dar contributo, a Áustria vai apoiar o programa.

Aproveitou a oportunidade para convidar o Presidente João Lourenço a visitar a Áustria e ver como é construída a infra-estrutura económica daquele país europeu.

Disse que o trabalho conjunto entre os dois países mostra que existe ainda um grande potencial para a cooperação com Angola e África. Karl Nehammer considerou que Angola é um parceiro muito importante quando se trata da questão da estabilidade e segurança.

Karl Nehammer disse que existem vários campos e projectos, onde os dois países ainda podem cooperar: “Porque só podemos enfrentar os grandes desafios do futuro União Europeia/África com o estabelecimento e fortalecimento desta cooperação e trabalharmos juntos no desenvolvimento entre Angola e os países europeus”.

Um dos campos apontado para se desenvolver a cooperação é o fornecimento de matérias-primas. O chanceler considerou a cooperação com Angola estratégica, defendendo que ambos países devem definir projectos concretos para alargar a cooperação já existente.

Disse, também, que os melhores embaixadores para Angola são os empresários austríacos que vêm a este país africano e que podem produzir e constatar que é uma nação que vale investir e tem um potencial de crescimento económico.