{"id":6021,"date":"2023-04-17T08:09:13","date_gmt":"2023-04-17T08:09:13","guid":{"rendered":"https:\/\/angolanembassy-nga.ao\/?p=6021"},"modified":"2023-04-17T08:09:15","modified_gmt":"2023-04-17T08:09:15","slug":"as-mulheres-que-cacam-minas-terrestres-que-restaram-da-guerra-civil-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/angolanembassy-nga.ao\/?p=6021","title":{"rendered":"As mulheres que ca\u00e7am minas terrestres que restaram da guerra civil em Angola"},"content":{"rendered":"\n<p>Conflito acabou em 2002, mas at\u00e9 hoje deixa mortos e mutilados no pa\u00eds africano.<\/p>\n\n\n\n<p>Um n\u00famero crescente de mulheres em&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/angola\/\">Angola<\/a>&nbsp;est\u00e1 trabalhando para eliminar as minas terrestres deixadas pela guerra civil que se estendeu por 27 anos no pa\u00eds e que ainda causam estragos muito depois do fim do conflito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o quero que a minha filha ou qualquer outra crian\u00e7a seja a pr\u00f3xima v\u00edtima de uma mina terrestre&#8221;, disse Helena Kasongo \u00e0 BBC em uma videochamada do Moxico, no leste de&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/angola\/\">Angola<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu sorriso se abre quando ela fala sobre a filha de tr\u00eas anos, apesar da natureza sombria do assunto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A crian\u00e7a ainda \u00e9 muito nova para realmente entender o que a m\u00e3e, aos 25 anos, faz como trabalho &#8211; arriscar a vida todos os dias no &#8220;escrit\u00f3rio&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Kasongo, no entanto, est\u00e1 convencida de que a menina um dia entender\u00e1 o que a levou a se tornar uma &#8220;sapadora&#8221; &#8211; o termo angolano para pessoas que &#8220;limpam&#8221; minas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda hoje angolanos morrem ou sofrem mutila\u00e7\u00f5es porque h\u00e1 milh\u00f5es de minas terrestres e muni\u00e7\u00f5es n\u00e3o detonadas remanescentes do conflito que terminou em 2002.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O \u00fanico levantamento nacional sobre o tema, realizado pelo governo angolano em 2014, constatou que cerca de 88 mil pessoas viviam com ferimentos causados \u200b\u200bpor minas terrestres no pa\u00eds.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/04\/16\/ataque-em-burkina-faso-deixa-40-mortos-e-33-feridos.ghtml\">Ataque em Burkina Faso deixa 40 mortos e 33 feridos<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es como a International Campaign to Ban Landmines (Campanha Internacional para Proibir Minas Terrestres) dizem que o n\u00famero real pode ser ainda maior, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 monitoramento oficial cont\u00ednuo das ocorr\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as s\u00e3o, muitas vezes, as principais v\u00edtimas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas meses, uma menina de seis anos foi morta e outras seis ficaram feridas em uma explos\u00e3o na prov\u00edncia do Moxico. Segundo a m\u00eddia local, as crian\u00e7as brincavam com uma bomba n\u00e3o detonada que encontraram em um campo sem saberem o que era o objeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria que todos n\u00f3s conhecemos muito bem. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m em&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/angola\/\">Angola<\/a>&nbsp;que n\u00e3o conhe\u00e7a algu\u00e9m que se machucou. Precisamos interromper este ciclo para o bem de nosso povo e de nossa na\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta Kasongo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela trabalha para o Mines Advisory Group (Mag), uma ONG que desde 1989 supervisiona a destrui\u00e7\u00e3o de minas terrestres e diversas muni\u00e7\u00f5es n\u00e3o detonadas em 70 pa\u00edses. Um deles \u00e9&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/angola\/\">Angola<\/a>, onde se estima que&nbsp;uma \u00e1rea de 7.300 hectares, equivalente a mais de 10 mil campos de futebol, ainda precisa ser limpa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o apenas representa um risco \u00e0 vida, mas tamb\u00e9m limita as atividades b\u00e1sicas nas \u00e1reas afetadas, incluindo agricultura e constru\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 algo que prejudica a economia em lugares j\u00e1 em dificuldades &#8211;&nbsp;mais da metade dos angolanos vive abaixo da linha de pobreza internacional do Banco Mundial&nbsp;(ganhando o equivalente a menos de US$ 2, ou R$ 10, por dia), apesar da exist\u00eancia de uma ind\u00fastria petrol\u00edfera em expans\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As minas terrestres custam vidas e membros, mas tamb\u00e9m dificultam o desenvolvimento e impedem que os deslocados retornem para suas casas ap\u00f3s o conflito&#8221;, disse o CEO da Mag, Darren Cormack, em um comunicado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eles prendem as comunidades n\u00e3o apenas no medo, mas tamb\u00e9m na pobreza.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/04\/16\/aniversario-no-alabama-termina-com-20-pessoas-baleadas.ghtml\">Festa nos EUA termina com 4 mortes e ao menos 20 pessoas feridas<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>As mulheres est\u00e3o entre os grupos mais afetados pela pobreza, o que ajuda a explicar por que muitas t\u00eam se tornando &#8220;sapadoras&#8221;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho oferece sal\u00e1rios que podem ser considerados bons para os padr\u00f5es do pa\u00eds, variando de US$ 440 a US$ 600 (R$ 2.225 a R$3.034) por m\u00eas, e h\u00e1 uma perspectiva est\u00e1vel de trabalho, dada a quantidade de terra ainda a ser coberta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres j\u00e1 representam quase 40% do quadro de funcion\u00e1rios dedicados \u00e0 desminagem na Mag em&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/angola\/\">Angola<\/a>&nbsp;e h\u00e1 mais de 600 mulheres que atuam nesta \u00e1rea para a Halo Trust, outra organiza\u00e7\u00e3o de desminagem que opera no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria contra as minas tem sido tradicionalmente um setor dominado por homens, em parte devido ao descarte especializado de muni\u00e7\u00f5es explosivas e aos antecedentes militares de muitos funcion\u00e1rios&#8221;, explica Cormack.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Procuramos recrutar e treinar proativamente mulheres desminadoras em todos os nossos programas como parte de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento de longo prazo para lidar com o desequil\u00edbrio de g\u00eanero.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/5D1If36YF65EPKMQ5an1llIXQqs=\/0x0:800x450\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/c\/S\/8KUW1bTsegqArAk8LqPw\/joaquina-barbosa-angola.jpg\" alt=\"Sapadoras como Joaquina Barbosa desempenham um papel crucial nos esfor\u00e7os para livrar Angola do legado mortal da guerra civil de 1975-2002 \u2014 Foto: Mines Advisory Group via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Sapadoras como Joaquina Barbosa desempenham um papel crucial nos esfor\u00e7os para livrar Angola do legado mortal da guerra civil de 1975-2002 \u2014 Foto: Mines Advisory Group via BBC&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Kasongo e os colegas passam em m\u00e9dia seis horas por dia e seis dias por semana vasculhando \u00e1reas em busca de minas terrestres ou explosivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os funcion\u00e1rios usam equipamento de prote\u00e7\u00e3o pesado e, usando um detector de metais, varrem metodicamente um peda\u00e7o de terra para encontrar os perigos ocultos. Depois que os locais s\u00e3o mapeados, especialistas em bombas entram para desarmar os explosivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As mulheres desafiam uma s\u00e9rie de estere\u00f3tipos de g\u00eanero e enfrentam press\u00e3o de amigos e familiares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e e meus irm\u00e3os n\u00e3o queriam que eu virasse sapadora de jeito nenhum. Disseram que n\u00e3o era coisa que mulher devia fazer&#8221;, diz Joaquina Barbosa, 27, que tamb\u00e9m trabalha na Mag.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Mas eu estava desempregada h\u00e1 cinco anos e queria trabalhar fazendo algo que me satisfizesse. Felizmente, n\u00e3o tive um parceiro para tentar me impedir. [No futuro,] qualquer homem ter\u00e1 que me aturar fazendo um trabalho perigoso&#8221;, acrescenta ela, com uma gargalhada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/vHeWMVJPrHwHCIAMsu0GiAQhxjY=\/0x0:800x450\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a\/internal_photos\/bs\/2023\/X\/Y\/RVCMU8SzAsX80svPMozw\/ngoie-graca-mulunda-angola.jpg\" alt=\"'O medo \u00e9 um companheiro constante, mas tamb\u00e9m \u00e9 o que faz voc\u00ea ficar atento para n\u00e3o errar', diz Ngoie Gra\u00e7a Mulunda \u2014 Foto: Mines Advisory Group via BBC\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8216;O medo \u00e9 um companheiro constante, mas tamb\u00e9m \u00e9 o que faz voc\u00ea ficar atento para n\u00e3o errar&#8217;, diz Ngoie Gra\u00e7a Mulunda \u2014 Foto: Mines Advisory Group via BBC&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de terem coragem n\u00e3o significa que sejam imunes ao medo. Ngoie Gra\u00e7a Mulunda, de 35 anos, que exerce a fun\u00e7\u00e3o h\u00e1 quase cinco anos, admite estar sempre alerta para o perigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;S\u00f3 relaxo depois de largar o equipamento. O medo \u00e9 um companheiro constante, mas tamb\u00e9m \u00e9 o que faz voc\u00ea ficar atento para n\u00e3o errar&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>&#8220;Neste tipo de trabalho, seu primeiro erro pode ser o \u00faltimo.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acidentes s\u00e3o raros, mas n\u00e3o in\u00e9ditos. Segundo a Mag, houve apenas dois feridos e nenhuma morte de desminadores desde 2012, quando come\u00e7aram a ser feitos registros completos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/angola\/\">Angola<\/a>, no entanto, ainda tem um longo caminho a percorrer para se livrar das minas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O pa\u00eds \u00e9 membro da Conven\u00e7\u00e3o de Minas Antipessoal desde 1997, ano em que a princesa Diana fez uma famosa visita ao pa\u00eds para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a quest\u00e3o das minas terrestres.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Nos termos do tratado, o governo angolano se comprometia a concluir a desobstru\u00e7\u00e3o total do territ\u00f3rio at\u00e9 dezembro de 2013, mas o prazo original foi prorrogado e est\u00e1 atualmente definido para 2028.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das raz\u00f5es para o atraso, segundo a Mag, \u00e9 a falta de recursos de doa\u00e7\u00f5es, que responde pela maior parte do financiamento das atividades de desminagem em todo o mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A escala global do problema \u00e9 imensa: pelo menos 5.544 pessoas foram mortas ou feridas por minas em todo o mundo em 2021, segundo a International Campaign to Ban Landmines. A maioria das v\u00edtimas eram civis, metade das quais eram crian\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As sapadoras de&nbsp;<a class=\"\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/angola\/\">Angola<\/a>, por\u00e9m, j\u00e1 sonham em levar sua experi\u00eancia para outros lugares, assim que o trabalho em seu pr\u00f3prio pa\u00eds terminar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu realmente gostaria de ajudar outros pa\u00edses a se livrarem de suas minas terrestres e evitar que mais pessoas sofram ferimentos ou morram&#8221;, diz Kasongo. &#8220;S\u00f3 as pessoas que moram em um lugar onde o perigo est\u00e1 ao lado podem realmente entender esse sentimento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: G1 por BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conflito acabou em 2002, mas at\u00e9 hoje deixa mortos e mutilados no pa\u00eds africano. 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